terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Imagens da Baía de Guanabara

Outros pontos de vista, de quem a vê navegando sobre suas águas, saindo de Niterói e indo em direção à Paquetá.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Escola, Amigos e Passeios


Um grande educador brasileiro chamado Paulo Freire dizia que a escola é um lugar onde fazemos amigos. Parece coisa de criança, mas é também coisa de adultos. Se lhe perguntarem, “o que mais você gosta na escola?”, qual é a primeira coisa que lhe vem à mente?
No meu caso são as pessoas, os amigos que fiz. E não conheço ninguém que goste de trabalhar ou estudar em um lugar onde não se tem amigos.
São eles que nos ajudam quando as coisas ficam mais difíceis – e eu não estou falando de passar a cola no dia da prova não! Os amigos nos ajudam a não desistir quando estamos cansados, quando sentam ao nosso lado e explicam uma coisa que não sabemos, quando nos esperam para ir embora para casa ao final da noite, quando brincam conosco para nos distrair e afugentar tristezas, quando nos ouvem, quando intercedem a nosso favor... Isto tudo ajuda a perseverar, e muito do que fazemos e conseguimos na escola, fazemos por causa dos amigos que temos ali. Eles são a força invisível que nos mantêm ligados no estudo (quase sempre) e na escola.
Algumas coisas ajudam a reforçar os laços de amizade, principalmente aquelas que realizamos juntos.
Por isso foi tão importante a nossa ida à Paquetá. Era para ser basicamente uma aula-passeio, mas se conhecer um pouco mais sobre a Baía de Guanabara foi interessante, assim aconteceu porque compartilhamos este evento com os amigos da escola, e – em muitos casos –, com os familiares.
Achei este poeminha na internet, faz parte de uma música antiga, de João de Barro e Alberto Ribeiro. Acho que demonstra bem o que sentimos com nosso passeio:







Dividir a pouca sombra de uma árvore: exemplo de coisa que podemos fazer juntos...



Voltando para casa na velha barca...
(Foto de Elda Storani)

Mas, e sobre a Baía de Guanabara, o que você aprendeu?

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Sobre "O Beijo"

O Beijo, obra de Gustav Klimt, está exposto na Galeria Österreiche, Viena - Áustria.


Atividade desenvolvida pelos alunos Lilia, Thays, Manuela e Sérgio,

2º ano do Ensino Médio, com a professora Izabel Cruz, de Educação Artística.


“O Beijo é uma das obras culminantes da carreira de Klimt. Este quadro foi aclamado desde o início e logo adquirido pelo governo austríaco. Nesta obra, o amor do autor pelo explentdor decorativo chega ao extremo, com belos motivos florais. Figuras abraçadas resaltam a sensualidade feminina, promovendo um desafio ao comportamento da sociedade da época, em uma poderosa representação da união carnal. As linhas retas que se enquadram no xadrez apontam para os valores racionais do homem, enquanto as flores, arredondadas referem-se à emoção feminina. Realizado em uma cidade conservadora, Viena, ainda hoje exerce fascínio sobre aqueles que o contemplam.”


Klimt utiliza em sua obra um explendor decorativo que se destaca enquanto mascara o erotismo dos amantes. Ao fazer a releitura de O Beijo, os alunos captam esta característica decorativa acentuando-a com texturas diversas. Para isto utilizam elementos que lhes são familiares: o corte, o recorte, a dobradura, o papel e o tecido, a colagem e também algumas tintas. Veja o cuidado com que procuraram re-apresentar O Beijo de acordo com suas visões, ressaltando seus elementos decorativos.


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Selos recebidos

Oi gente:

Recebemos estes dois selos - em períodos diferentes - da Professora Jenny, através de seu blog O PC e a Criança:


Agradecemos a indicação e em breve vamos sugerir outros blogs que também valem uma visita!
(Depois que passar o período de avaliações e relatórios de final de período letivo...)

Aula passeio: aprender, com prazer.


Vivemos em uma região que recebe turistas do mundo inteiro, pois a natureza por aqui se fez generosa. E a história também...
A Baía de Guanabara, desde os tempos de Villegaignon, já era a menina dos olhos de franceses que navegavam ao sul do equador. Por aqui encontraram abrigo para os seus navios e para sua gente. Quiseram explorar a terra, fizeram alguns amigos (os tamoios) e resolveram criar raízes no lugar.
Então, para guardar suas vidas e sua aldeia, chegaram a instalar canhões para afugentar os inimigos (neste caso, os portugueses).
Um destes canhões foi instalado no lado oriental da entrada da barra, ou seja, no lado onde hoje se localiza Niterói.
Esta parte da história – entre outras – está guardada em uma construção belíssima, a Fortaleza de Santa Cruz, que visitamos em outubro deste ano.
Embora muitos de nós moremos por aqui há algum tempo, nem sempre temos oportunidade de visitar os pontos turísticos e históricos da cidade. Em nossa vida corrida, quando sobra um tempo para lazer ou descanso, optamos muitas vezes por prazeres mais próximos: o churrasco com a famíla, a praia – quando faz sol, o jogo com os amigos...
Então, se a Escola propõe outro tipo de aula, é bom aproveitar a oportunidade, pois além do aprendizado, podemos nos divertir também!

Algumas coisinhas que aprendemos nesta aula passeio:
  • Devemos levar água para fazer caminhada de mais de três quilômetros, uma barrinha de cereais ou uma frutinha.
  • Os banheiros femininos, mesmo em pontos turísticos, nunca são em número suficiente.
  • “A cobra fumou” é uma frase com fundamento.
  • Quero-queros nem sempre atacam intrusos próximos aos seus filhotes.
  • Oito homens e um animal eram necessários para manobrar um canhão de origem inglesa.
  • Um antigo paiol pode ser transformado em um interessante salão de festas.
  • Óleo de baleia, calcário e mariscos triturados fazem uma cola poderosíssima!
  • Masmorras sem luz e pouco ventiladas ainda nos arrepiam.
  • Romance com oficial da guarnição podia causar sofrimento mortal para donzelas apaixonadas.
  • Um dia nublado é um ótimo aliado de caminhadas – principalmente na volta para casa.
  • Há restaurantes em Jurujuba que oferecem boa comida com bom preço!
  • Ver paisagens conhecidas sob outros ângulos, sentir a brisa que vem do mar refrescando a pele, ouvir o ritmo das ondas batendo no costão (e não o ronco de motores ou buzinas)... Não tem preço!
Aprendemos estas e outras cositas más.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Feche os olhos para ver...

Algumas coisas vemos melhor com os olhos da imaginação!

"Feche os olhos para ver" era a frase que uma menininha ouvia toda noite antes de dormir, quando sua mãe a preparava para lhe contar histórias...

As histórias, podemos ler nos livros ou inventá-las.

Eu, particularmente, gostava demais daquelas que meu pai contava quando a família se reunia à noite em volta de uma grande mesa na cozinha. Ele contava “causos” da roça em que, com os irmãos e amigos, eram personagens principais junto a outros seres não tão reais. Assim, passei boa parte da minha infância viajando através da imaginação de meu pai e da minha própria, por lugares que nunca vi de verdade, na companhia de gentes que nunca conheci e que também não esqueci.

Assim passei a contar minhas histórias.

Esta que segue abaixo poderia ser um daqueles "causos" leves contados por meu pai.

Se você quiser ouví-la, poderá imaginar o acontecido fechando os olhos, mas talvez nem precise: essa história se passa no escuro...Ah, como também não tem palavras, você pode utilizar as suas para contá-la!


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Crianças!

Ouça a voz da Márcia dos Santos, da turma 601:

Como podemos cuidar de nossas crianças? Protegê-las? Cuidá-las?
Por mais que eu tente não consigo entender.
A sociedade não ajuda. O governo também não. Só podemos pedir a Deus que nos ajude, e orarmos pelas nossas pobres crianças inocentes...
TEMOS QUE FAZER, E NÃO APENAS FALAR !!!

Por que a Márcia estaria tão indignada? Será que ela está cheia de tanto ouvir promessas não cumpridas? Será que "o governo" sabe do que a Márcia está falando?

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Educação e exames: quais suas finalidades?

O Exame de Classe, by Albert Anker. Imagem de domínio público.

“A liberdade pode lhe ser tirada, mas o conhecimento não.”

Alexandre Dumas, in O Conde de Monte Cristo.

Diz-se que quem tem educação está mais bem preparado para a vida, ou que é através da educação que se pode melhorá-la.

Vemos nos jornais os resultados do ENEM que apontam o ranking das melhores escolas de acordo com a pontuação recebida pelos alunos. Estas ofereceriam, segundo os valores alcançados, a melhor educação.

De um lado há os que podem pagar pela educação de qualidade dessas escolas, particulares, que geralmente cobram muito caro pelos seus serviços. Do outro lado, há aqueles que nas muitas escolas públicas superam dificuldades diversas...

Mas a melhor medida do sucesso pessoal da educação praticada está realmente nos números alcançados nos ENEM? São nestes tipos de exames que se encerram a educação de alguém ou são eles que realmente indicam para que ela serve? Será que a medida do real valor da educação recebida não estaria no quanto uma pessoa a incorporou em sua própria vida, no quanto um indivíduo se apropriou dela para resolver as questões do seu dia a dia ou de sua comunidade? Se somarmos todos os indivíduos de um país, e considerarmos o que eles conseguem fazer com a educação que receberam, seja das escolas particulares ou das escolas públicas, não teríamos aí a real medida da educação de um povo?

Se os exames como os do ENEM servem como medida, esta aponta para uma etapa do processo educativo: aquela que focaliza a instrução recebida nas escolas básicas. Eles não são um fim em si mesmos, embora muita gente se preocupe em preparar-se somente para superá-los (ou ao vestibular). Para os governos os exames também podem indicar onde é necessário investir para melhorar a educação oferecida pelas escolas. Para cada estudante e sua família, poderiam ser mais que um marco decisório ou definitivo, poderiam ser um marco de superação ou continuidade.

Embora o exame do ENEM contribuia para o acesso à faculdade, o fato de uma pessoa não ter alcançado pontuação suficiente para tal em um primeiro momento, não significa que seu processo de aprendizado acabou. A aprendizagem se faz durante toda vida, pois “o Homem é o único animal que pode aprender até antes de morrer”. Dentro ou fora de uma faculdade. Em um curso técnico formal, em uma comunidade presencial ou virtual, diante de um computador, de forma sistemática ou não, refletindo sobre os fatos acontecidos ou experimentando soluções...

Independentemente dos resultados em um exame, como fica tudo aquilo que você estudou na escola? Será que você realmente aprendeu? É capaz de aplicar um conceito estudado diante de um fato que se apresenta diante de sua vida?

Veja o filme Homens de Honra. Ele conta a história de um rapaz que queria ser mergulhador da marinha nos EUA. Repare bem na cena do barril, em que o sargento instrutor demonstra a importância vital de saber exatamente o que significa determinado conceito de física. O método pode ser condenável, mas foi eficaz para demonstrar ao aspirante a diferença entre passar num exame e realmente aprender.

Ou então veja O Conde de Monte Cristo. Avalie a importância que saber ler e escrever teve na virada que um homem pobre do século XIX fez em sua vida.

São histórias de outras épocas, outros lugares e principalmente de superação. Mas com lições que nos levam a refletir sobre para que deveria servir a educação, mesmo em nossos dias...

Hoje, a educação que lhe é oferecida, está lhe servindo para o quê? E qual o papel que você assume diante do seu próprio aprendizado?

As respostas poderão dar a medida do valor que tem a educação não só para você, mas também para a sociedade a qual você pertence.

domingo, 16 de agosto de 2009

O que havia no meio do caminho?

Obstáculos talvez... Ou quem sabe uma surpresa? Um encantamento, um amor, um poema controverso!
Aqui, um game com a poesia "No meio do Caminho", de Carlos Drumond de Andrade.

Dica: procure a pedra no canto superior à esquerda.
E se quiser conhecer outras poesias, visite o espaço Alguma Poesia, em Drumond, no site Memória Viva...

Fonte: http://www.livroclip.com.br/

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O Contador de Histórias

Roberto Carlos Ramos é um grande contador de histórias. E a maior de todas é a sua própria.
Ele nasceu em família pobre. Sua mãe, quando soube que uma instituição do governo abrigava crianças carentes, dando-lhes boa alimentação e escola, entregou o menino para que fosse cuidado. Ela acreditava que ali ele teria um futuro.
Mas a instituição era a antiga Funabem. E o garoto lá viveu tristes histórias.
Conseguiu no entanto preservar a sua imaginação, um bem muito precioso.
Uma educadora francesa quis adotá-lo. Enquanto se conheciam, Roberto Carlos aprontou muito, só para ter certeza de que ela gostava dele! Um dia, deixou a torneira aberta e inundou toda a casa!
Adotado, foi com ela para a França. Estudou, cresceu, tornou-se homem e educador.
Hoje, é também escritor e tem 25 filhos. Não sei se são todos adotados... penso que sim, afinal, ele gosta de dar finais felizes às suas histórias!
Ouvi o Roberto Carlos contar parte de sua vida em uma entrevista no programa Sem Censura há algum tempo. Agora ela virou um filme cheio de imaginação...
Vale a pena conhecer um pouco do contador de histórias Roberto Carlos Ramos:

sábado, 25 de julho de 2009

Mulheres de Coragem

Jane Kelly, Jéssica, Flávia e Giseli, da turma 702, fizeram uma pesquisa sobre as mulheres de coragem na Historia. Encontraram diversos nomes, inclusive de algumas brasileiras. Uma parte desta pesquisa esta descrita aqui:

“As mulheres que participaram de movimentos políticos e revoluções, não concordando com a repressão, guerreando, lutando contra as injustiças e por causas sociais, entraram para a historia pelo espírito de liderança e perseverança; porém todas elas foram severamente punidas. Muitas mulheres do mundo todo foram presas, martirizadas e na maioria das vezes pagaram pelos seus atos de bravura e coragem com a vida.”

Teresa de Méricourt, francesa, século 18.
Em 05 de outubro de 1789 esteve à frente da marcha popular de Versalhes clamando por mais pão e menos leis.

"A Liberdade guiando o Povo", de Eugène Delacroix. França, 1830.

Olympe de Gouges, francesa, século 18.
Condenada à morte e guilhotinada em 1793 por “ter querido ser um homem de Estado e ter se esquecido das virtudes proprias do seu sexo”.
Ana Campista, brasileira, século 18.
Acusada de adultério, foi encaminhada a um abrigo de prostitutas. Rebelou-se contra esta imposição, provocou um incêndio na construção e conseguiu fugir.
Emma Goldman, russa, século 19.
Migrou para os EUA em 1882 e acompanhou o movimento operário pelas oito horas de trabalho. Militante anarquista, foi presa e deportada. Percorreu vários países, lutando pela causa operaria, pelos direitos da mulher e pelo amor livre.
Bárbara de Alencar, brasileira, século 19.
Foi um dos libertários que em 1817 retomou a luta pela independência no nordeste do Brasil. Participou da Confederação do Equador, luta em que perdeu seus bens e dois filhos. Foi a primeira mulher presa por motivos políticos, condenada por liderar o movimento que proclamou a República do Crato.
Rosa Luxemburgo, polonesa, século 20.
Ativista política, foi perseguida e condenada à prisão. Fugiu para a Alemanha e voltou à Rússia em 1905 para participar da insurreição contra os czares, sendo presa por suas atividades.
Felipa de Souza, portuguesa, século 16.
Veio para o Brasil e em 24 de janeiro de 1592 foi condenada pelo Tribunal do Santo Ofício por lesbianismo. Segundo os registros da época, foi a mulher mais humilhada e castigada da Colônia. Teve seu nome atribuído ao principal premio internacional dos direitos humanos dos homossexuais: “Felipa de Souza Award”.

A pesquisa sobre essas mulheres guerreiras foi desenvolvida a partir do site sobre Bárbara Alencar, onde há uma lista com outros nomes que incluem as brasileiras Pagu, Nise da Silveira e Dilma Rousseff, a alemã/brasileira Olga Benário, a norte americana Rosa Parks e as nigerianas Safiya e Amina.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Sobre as Barras de Vídeos

Barra de Vídeo "Os Miseráveis"

Apresentação de obras derivadas do romance "Les Miseràbles", de Victor Hugo, escritor francês do século XIX, objeto de trabalho em 2007:
  • Parte do filme de 1998, que mostra o encontro e o romance das personagens Cosette e Marius;
  • Primeira parte de animação baseada no musical Les Miseràbles, desenvolvido para o teatro;
  • Evento comemorativo em que se apresentam dezessete intérpretes de Jean Valjean, protagonista do musical e da obra literária;
  • Alessandra Maestrini, a "Bozena" da serie televisiva "Toma Lá Dá Cá", interpreta, através da personagem Fantine, a versão da canção "I dreamed a dream" (Eu sonhei um sonho) - a mesma cantada pela então caloura inglesa Susan Boyle.
Barra de Vídeo "Fale Sem Medo"

Vídeos desenvolvidos para a Campanha do Instituto Avon contra a Violência Doméstica. Em http://www.falesemmedo.com.br .

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Fazendo o Futuro

Conversa com Alamir Penna Gonçalves, mais conhecido como Alamir do Vime, aluno do 6º ano da EJA.

Seu Alamir contou a historia de como foi morar nas ruas após uma crise de depressão depois da morte de um ente querido.

Como o senhor saiu das ruas?

“Eu consegui quando alguém chegou para mim e me pediu ajuda para fazer um jardim. Foi em sete de setembro de 1985.”
“Fui no dia seguinte, a pé até São Francisco. Ele não me pediu para tomar banho, nem para mudar de roupa. No final do trabalho, à tardinha, ainda me deu cinco cruzados. Eu perguntei se podia voltar no outro dia, e acabei ficando uns quatro dias. No terceiro dia ele me perguntou se eu queria trocar de calça para trabalhar (olha só a esperteza, ele não me ‘deu’ uma roupa, ele valorizou a que eu tinha!).”
“No dia onze eu tomei meu primeiro banho em muito tempo. Foi na rodoviária, a água estava muito quente. O pessoal zombava: Ih, vai incendiar a rodoviária!”
“Aí fui crescendo. Quinze dias depois voltei a trabalhar na minha profissão.”

Como o senhor começou a trabalhar com os outros moradores de rua?

"Foi meio sem querer. Eu trabalhava com vime ali em Icaraí e via os pivetes abordando os garotos que voltavam da escola, ameaçando e pegando as coisas deles. Um dia pedi a um para comprar um biscoito, ele foi e me deu o troco direitinho. Então comecei a fazer amizade com eles e pedi para me ajudar. E comecei a dar comissão a eles. Nunca aconselhei: não faz isso, isso ta errado.”

Seu Alamir faz uma ressalva quanto às críticas. Diz que quem faz uma crítica, se sente superior, e isto fere quem é criticado. Por isso, ele acha que não há crítica construtiva. Para ele, apontar o erro não é bom, pois desvia do objetivo principal. E ilustra o que pensa desta forma:

“Quando você vai atravessar a pinguela, tem que olhar para frente. Não se deve criticar ninguém, mas mostrar o que é bom para ele. Tem que mostrar, mas com jeitinho. Não pode criticar para não confrontar, o que é ruim ele já conhece.”


No meio de nossa conversa, Seu Alamir mostra as fotos dos meninos que ajudou a sair das ruas. Diz onde estão agora, trabalhando, estabelecidos e com futuro. (Eles estão sorrindo nestas fotos). Mostra também pequeno cartaz de um menino cuja família está a procurar, e que está empenhado em ajudar: ele sabe a dor da família que tem um ente querido “perdido” nas ruas. Ele reafirma sua historia diante dos demais, espera poder auxiliar o menino e sua família.

“Não tenho vergonha de falar sobre o que eu era. Todo aquele que esquece o seu passado, está condenado a repeti-lo. Hoje sou feliz, com minha esposa e meus filhos, estou aprendendo a conviver com os meus problemas.”


Sobre sua família, Seu Alamir é só elogios: o filhos são bons e a esposa é amiga, companheira e o ajuda muito, um Mulherão – como ele fez questão de demonstrar quando a professora Audrey pediu para fazer um trabalho (linha da vida) sobre uma mulher importante da historia: sua esposa foi a escolhida.
Seu Alamir gosta de falar, como ele mesmo afirmou. E com tanta coisa para contar, perguntei-lhe se já havia pensado em escrever um livro.

“Já. Por isso voltei à escola. Eu tentei, mas tenho muitos erros de Português.”


Ele havia pedido a ajuda de alguém que veio a falecer. Então sugeri que escrevesse com a ajuda do computador. Seu Alamir aprova a idéia com entusiasmo - já havia inclusive pensado nisso! (Quem sabe daqui a pouco ele não estará escrevendo suas vivencias e seus saberes na forma de um blogue...)
Sobre seus antigos e atuais problemas, Seu Alamir comenta:

“A depressão é um caso serio, tem que tomar cuidado. Tem que fazer acompanhamento, seguir a orientação do médico.”


Mas, resumindo o que ele pensa sobre problemas, seu jeito próprio de ser e ver o mundo, transcrevo aqui o que ele disse ainda no começo da nossa conversa:

“Feliz quem tem problemas. Só os mortos e alienados não os têm. Se a gente tem problema, tem vida.”


Que a historia de seu Alamir possa servir de exemplo e ajudar a muita gente...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Não dê esmola, dê futuro.

Conversa com Alamir Penna Gonçalves, mais conhecido como Alamir do Vime, aluno do 6º ano da EJA.

Não dê esmola, dê futuro. Este é o slogan que Seu Alamir faz questão de reafirmar depois de contar sua historia, pois para ele a frase não é só um amontoado de palavras para fazer efeito, ela faz parte de sua visão de mundo, uma filosofia de vida.

O que o motivou a adotá-la?

Tudo começou quando um ente muito querido morreu e Seu Alamir, em uma crise profunda de depressão passou a viver nas ruas como um mendigo. Quando superou esta fase, passou a ajudar outras pessoas.

Sua historia de superação levou-me a solicitar uma entrevista, e ao intuir minha primeira pergunta, ele foi logo dizendo:

"Nem tudo está perdido, as coisas, quando não têm solução, solucionadas estão. Sempre há esperança, aquela luzinha no fim”.

Então, para ilustrar o que dizia, contou-me a seguinte parábola:

“Um burro, muito velho, caiu em um poço. O dono resolveu matar dois coelhos de uma só vez: já que o burro estava velho e o poço seco, resolveu tapar o poço e enterrar o burro. Começou a jogar terra no buraco, mas cada vez que a terra caía sobre o animal, este a sacudia e dava uma passada. A terra foi se acumulando no fundo e o bicho sempre pisoteando-a, ficava acima dela. Resultado final: o burro se salvou.”

Moral da historia, segundo as palavras do Seu Alamir:

“Todos nós temos nossas dificuldades, mas podemos sair delas”.

Fiz uma consideração antes de lhe fazer outra pergunta – de que havia tido um problema e por isso vivia na rua – e ele nem esperou a pergunta, foi logo afirmando:

“Quando eu era um mendigo, não tinha problema, EU era o problema. Um problema social, um problema familiar.”

E continuou explicando seu ponto de vista:

“Hoje a sociedade criou o termo ‘Morador de Rua’. Eu acho isso demagogia. Quando se precisa de um médico, o morador de rua não tem endereço para dar, então não pode ser atendido. A palavra certa é ‘Mendigo’. Palavra de choque. Eu penso assim.”

Palavras de choque, frases fortes, opiniões próprias e talvez polêmicas. Assim se mostrou Seu Alamir.

Antes de ir para as ruas, ele estava estabelecido: tinha um comercio de móveis, foi um dos primeiros a trabalhar com vime na estrada Rio/Petrópolis. Mas com a morte de sua avó, entrou em depressão. Segundo ele, naquela época (anos 70) a depressão não era conhecida como uma doença, e por isso ele não fez tratamento.

“Perdi o gosto pela vida! O ser humano é igual a uma casca de ovo. Separado da casca, da gema e da clara, não é um ovo. Família, trabalho e os grupos que convivemos são um tripé. Se um entrar em conflito, alguém sai perdendo. Entrei em conflito com a família e saí de casa. Esta atitude está enraizada no orgulho: a pessoa se ressente e vai para a rua. Na rua ele diz ‘minha família me abandonou’, então o outros o vêem como um coitadinho. E dão esmola.”

Isto seria um erro, dar esmola?

“Comunidade não tem pivete, não tem mendigo. Aí eles saem e vão para as ruas, onde a sociedade os mantém. A própria sociedade que cobra do governo que há muitos mendigos e pivetes nas ruas! E a família que mais sofre: com o familiar que foi embora e com o julgamento da sociedade. Todo mendigo se esconde da família – ninguém é mendigo na rua em que mora. Para sua família, ele é uma vergonha: foi para a rua porque quis.

O mendigo não se acha um, só descobre quando deixa de ser.

Para mim eu vivia uma vida normal. É muito difícil sair da rua. Eu mesmo não queria.”

Qual seria vantagem de ser um mendigo?

“Eu nunca passei fome. Dormia na hora que queria – no albergue tudo tem hora. E na rua a gente ainda ganha uns trocados.

Sobre o comportamento do mendigo de um modo geral, disse Seu Alamir:

“Todo mendigo é orgulhoso. Ser humilde é uma coisa, ser pobre é outra. Quando oferecem ajuda, ele aceita, mas pensa: Não estou te pedindo nada!”

Fim da primeira parte, continua no próximo texto

domingo, 28 de junho de 2009

Luiza Acacio da Rocha

Que tal construir a Linha da Vida de uma personagem importante da historia?

E se esta personagem fizer parte de sua historia, se ela for importante na sua própria vida?

Edmo, aluno do 6º ano, construiu uma linha do tempo mostrando um pouco da historia de sua mãe, D. Luiza.

Conheça-a:

1914 – Em 04 de abril de 1914 nascia Luiza Acácio da Rocha.

Cresceu sem infância.

1928 – em 10 de dezembro de 1928, aos catorze anos, casou-se e teve dezoito filhos, dos quais eu sou o caçula.

1950 – Em 29 de maio de 1950 eu nasci: Edmo Gustavo da Rocha.

Desde que eu nasci e comecei a entender um pouco as coisas, via minha mãe levantar de madrugada para preparar meu pai e meus irmãos para o trabalho na lavoura, de onde era tirado todo o sustento da família.

Este trabalho iniciava-se às duas horas da madrugada. Ela preparava o café e depois o almoço, cuidava das criações que tínhamos no quintal, enfim, um trabalho que só poderia ser recompensado por Deus, porque na verdade só ele sabia o quanto ela trabalhava! Pode-se dizer que era a primeira a levantar e a última a deitar-se.

Mulher guerreira, teve seus filhos em casa, pois na fazenda as parteiras é que cuidavam desta parte.

1967 – Avançada em idade, consegui trazê-la para Niterói. Nesse período é que minha mãe foi ao médico, que fez perguntas as quais eu não soube responder, o que causou grande preocupação. Mas como existem coisas que a gente não controla, acabei tendo que internar minha mãe, que infelizmente não voltou mais.

1980 – Aos 76 anos ela morreu.

Esta poderia ser uma historia anônima, mas que hoje deixa de ser, pois uma mulher com tantas qualidades não pode deixar de ser considerada uma heroína - esta grande mulher que é minha mãezinha.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Agressão à Mulher

A agressão à mulher é uma coisa que já dominou o dia a dia de todos.
Geralmente este tipo de violência está diminuindo, mas continua sendo um grande problema para a sociedade.
Antigamente as mulheres eram agredidas e não tinham como se defender, hoje a historia é outra, agora elas podem denunciar os agressores. Mas sempre quando pensamos que está tudo resolvido, existem mais problemas.
De que adianta termos como nos defender, se ninguém toma nenhuma providencia quando denunciamos?
Em quase todos os casos, os agressores quando são denunciados ficam presos por apenas um ano ou são liberados no mesmo dia em que são denunciados.
Acho que o dever da polícia é prender quem agride as mulheres, que deve cumprir uma pena justa e rigorosa.
As mulheres estão fazendo protestos, reuniões para ficarem fortalecidas e terem mais coragem de encarar os homens.
A polícia tinha que ser mais rigorosa, e os homens têm que dar mais valor às mulheres.O texto acima foi desenvolvido por Maria Mendes, do 6º ano, e as imagens que o ilustram foram buscadas em http://www.violenciamulher.org.br/, site que traz informações importantes sobre a violência contra a mulher e aponta caminhos para combater este problema.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Outras formas de expressão

Na minha arte, eu tento explicar a vida e o seu significado a mim mesmo. - Edvard Munch

Quando não é lhe possível ou quando não quer falar, o ser humano pode utilizar outras formas para expressar aquilo que sente e pensa. Algumas pessoas utilizam imagens para transmitir suas emoções. Edvard Munch procurou fazer isto em suas pinturas. Sua obra O Grito tem sido apontada como referência na representação de sentimentos como angústia e desespero.

O que disse o autor sobre O Grito:

“Passeava com dois amigos ao pôr do sol – o céu ficou de súbito vermelho sangue – eu parei, exausto, e inclinei-me sobre a mureta – havia sangue e línguas de fogo sobre o azul escuro do fiord e sobre a cidade*– os meus amigos continuaram, mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade – e senti o grito infinito da natureza.”

O que outros disseram na internet sobre essa obra de Munch:

“O Grito exprime grandiosamente o mais elemental desespero humano.”Entremundos

“Pariste
Definitivamente pelo Grito, Todos
Mas todos os Ais profundos e enormes,
Que se alojam na alma do Ser...
"Morfeu, em Anomalias

"O Grito não é uma obra agradável de olhar, agradável no sentido de contemplar algo bonito, mas agrada pela grande expressividade, agrada por uma gama de emoções que ela desperta no mais íntimo do observante. Agrada porque ao olhar a figura, catarticamente você se reconhece... no desespero!" – Zandali, em Clube da Luluzinha

"O grito representa o medo intolerável de perder a razão." – Rainha da Paz

E você, o que diria sobre as emoções na obra de Munch?"Condenado à Agonia", apropriação popular de "O Grito".
Imagem de dominio público encontrada em Wikimedia Commons

Você também expressaria seus sentimentos em imagens?

Ou você utilizaria outras formas de expressão?


* Oslo, capital da Noruega.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Vozes da 702

“Se eu tivesse poder não existiriam doenças.

Não existiria a pobreza.

Não existiriam diferenças entre raças.

Não existiriam as palavras sofrer e chorar.

Ninguém teria estrias na barriga depois de ter filhos.

Não existiriam pessoas carentes.

Eu mandaria alimento para todos os necessitados.

Falaria com o prefeito para mandar construir mais hospitais para as comunidades.

Mandaria todas as pessoas para a escola.

Falaria com o Presidente dos Estados Unidos.”


“Se eu tivesse poder...

Deixaria os alunos entrarem na escola com a roupa que quisessem.

Tiraria os mendigos das ruas e botaria em um abrigo.

Iria morar em qualquer lugar, menos em morro.

Tiraria as pessoas que não querem estudar do colégio.

Existiria um ônibus só pra quem estuda.

Não existiram maridos que espancassem mulheres.

Melhoraria o lugar em que vivo. As casas que estão em risco.

Não existiria violência nem mortes, fomes, tristezas.

Se eu tivesse poder...

O mundo em que a gente vive seria muito melhor.


“Se eu tivesse poder... consertaria muita coisa que vejo de errado no mundo: a fome, a doença, o preconceito. a falta de conhecimento, etc.

“Se eu tivesse voz perguntaria ao Presidente Lula...

Por que tanta gente tem muito e outros não têm nada?

Por que um jovem pode matar, roubar, estuprar e nada é feito em favor disso?

Ele não pode ser preso porque é ‘de menor’ ?

Mas um jovem de apenas 16 anos já pode votar.

Tem idade para escolher quem pode colocar lá em cima no poder.

Até quando nós vamos ficar nas mãos desses menores?

Andando assustados nas ruas?


“ Se tivesse poder...

Acabaria com as guerras.

Falaria com o presidente para asfaltar as ruas.

Acabaria com as drogas e a prostituição."


“Se eu tivesse voz falaria a minha mãe que a amo e a minha namorada também.”


“Eu gostaria de ter poder para...

Acabar com o tráfico de drogas.

Colocar mais policiamentos nas ruas.

Acabar com os dedos-duros.

Acabar com a prostituição.

Eu gostaria de ter voz para mandar no mundo.”


“Se eu tivesse poder...melhoraria os hospitais públicos por que é uma pouca vergonha pessoas morrendo peles corredores, falta de vagas para outras pessoas...”


“Se eu tivesse poder...

Ajudaria as crianças carentes das ruas.

Ajudaria os orfanatos.

Melhoraria o salário das pessoas e,

principalmente, o meu.


“Se eu tivesse poder não existiriam drogas.”


“Se eu tivesse voz iria falar a minha namorada que ela é a minha vida.”


“Se eu tivesse voz...

Acabaria com as drogas.

Aumentaria o salário mínimo.

Acabaria com a falta de professores.”


“Se eu tivesse voz... falaria para os policiais para não matarem as pessoas inocentes e também para não matarem os traficantes e sim, prende-los.”


“Se eu tivesse poder eu mudaria as escolas, os hospitais e acabaria com a desordem em nosso país.”


“Eu queria ter voz para dizer a todos os criminosos que o crime não compensa.”


“Se eu tivesse poder e voz para dizer para todos os pedófilos que antes de cometerem esse tipo de crime pensassem em seus próprios filhos porque essa é a pior dor de uma mãe. Eu passei por essa dor cruel.”


“Eu queria ter poder para que não existisse o mal como, por exemplo, mães que abandonam seus filhos.”


“Eu queria ter poder para distribuir muitas cestas básicas para pessoas necessitadas.”


“Eu queria ter poder para colocar mais policiamento nas ruas.”


“Eu queria ter poder para colocar mais professores dedicados.”


“Se eu tivesse poder eu mudaria tudo, tudo mesmo. Começaria pela saúde das pessoas porque é um absurdo viver nessa situação. Sem médico, remédio, exames. Ficar internado sentado em um corredor esperando a boa vontade dos funcionários.”


“Se eu tivesse voz, gritaria bem alto para as autoridades que tomassem mais conta de nossas crianças. Elas precisam de educação e saúde para que possam crescer com muito respeito na sociedade. Sem ter que se envolver com drogas e passar por situações difíceis como apanhar de policiais e causar a família prantos de angustia.”


“Se eu tivesse poder estaria no lugar do Lula pra mudar todas as dificuldades da população: saúde, trabalho, segurança, ensino e muito mais.”


“Se eu tivesse voz falaria adequadamente ao Excelentíssimo Senhor Presidente sobre a falta de segurança pública. Falaria a respeito dos salários e da saúde das pessoas da classe média baixa.”


“Se eu tivesse poder... falaria ao diretor do colégio que os alunos que não querem nada com o estudo deveriam ser retirados da escola e a vaga deles passadas para pessoas interessadas.”


“Se eu tivesse voz falaria de uma modo especial para acabar com a burocracia que existe em nosso país, hoje.”


“Se eu tivesse poder...

Teria um emprego bom com um salário de três mil reais por mês.

Teria uma casa ótima para mim e meus filhos e para aqueles

que precisassem de moradia.

Daria um salário digno aos professores.”


“Se eu tivesse poder...

Falaria com o Presidente Lula o que sinto pelas pessoas que batalham para terem o que comer e não têm.

Daria aos jovens oportunidades de cursos e trabalhos para que no futuro não passassem pelo que o que seus pais sofreram sem oportunidade de vida.

Puniria todos os homens que não assumissem os seus filhos para que tivessem mais responsabilidade.

Para falar a verdade, se eu tivesse poder realmente, mudaria o nosso país para melhor, pode ter certeza, com menos corrupção.

Se eu realmente tivesse poder compraria uma fábrica de chocolate só para mim mas, sem engordar, é claro.”

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Voz: definições de dicionário...

Pesquisa desenvolvida pela professora Verônica da turma 702
Voz - do latim voce.
Voz - som ou conjunto de sons emitidos pelo aparelho fonador.
Voz - faculdade de falar.
Voz - clamor.
Voz - ordem, dada de viva voz, mediante a qual os comandados executam determinado movimento ou desenvolvem qualquer ação.
Voz - voz de comando (q.v.) com que se transmite, advertindo, a natureza da ordem que vai ser dada, e antecede a voz de execução.
Voz - trecho vocal de uma composição musical.
Voz - som resultante da vibração das cordas vocais.
Voz - ordem em voz alta.
Voz - boato
Voz - voz gramatical: voz ativa, voz passiva
Voz - direito de falar em algum lugar.


Voz, para falar o que se sente, o que se pensa e o que se deseja e o que é preciso!

Ouça e veja no vídeo a voz e a interpretação de quem se propõe a falar com Deus.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Vozes de um Povo

Ao longo da historia da humanidade as pessoas sempre expressaram aquilo que pensavam, sentiam ou queriam de alguma forma. Através de gestos, das suas vozes ou de suas ações.

Hoje, quando estudamos a historia dos egipcios, por exemplo, ela pode ser observada através dos monumentos que construíram e das esculturas que os ornamentavam, dos objetos que eles fabricaram, das mumias que preservaram os corpos de seus cidadãos e da escrita que ficou gravada nas pedras. Desta forma conhecemos um pouco daquilo em que acreditavam, da forma como viviam, das ideias que compartilhavam, do sentido que provavelmente davam às suas existencias.


O que expressaram os egípcios com estes hieróglifos abaixo?

Foto de Jon Bodsworth, buscada na Wikimedia Commons

E assim aconteceu com outros povos, de distantes lugares, de diversas épocas. Inclusive do Brasil.

Conhecemos as vozes de um povo também através daquilo que as pessoas produzem nas artes visuais, nas ciencias, nas técnicas que inventam, na literatura... Elas dizem da sua criatividade, dos seus interesses, das suas necessidades, dos seus valores.


Mas será que tudo aquilo que nos chegou dos povos que estudamos foi a voz da maioria?


E hoje, vivendo em um mundo tão midiatizado: a voz na televisão, no rádio, nos jornais, nas revistas e aquilo que se repete nas ruas é realmente a nossa VOZ?


Qual a voz que move você: aquela que sai do seu interior ou aquela que segue os outros?


Veja abaixo, o pai da Luciana Melo e do Jairzinho, em Disparada, uma "voz" contra a ditadura militar, no ano de 1966: "... e já que um dia montei, agora sou cavaleiro, laço firme, braço forte, de um reino que não tem rei!'"


O que realmente significavam estas palavras?


sábado, 9 de maio de 2009

Jogue esse!

Experimente e veja como anda a sua ortografia:

quarta-feira, 25 de março de 2009

Papéis Femininos

Michelle Bachelet, presidente do Chile.
Foto de Ricardo Stuckert, em Wikimedia Commons
Débora Rodrigues, piloto de Fórmula Truck (caminhões)
Foto de Silvio Tanaka no Flickr

Mulheres dirigem caminhões e fogões. São chefes de Estado ou donas de casa. Têm filhos e são profissionais ou escolhem exercer apenas uma destas funções.

Por outro lado, inserem-se no mercado competindo com os homens pelas mesmas atividades, mas ganham menos por isso. Muitas têm três turnos de trabalho, pois, além de exercerem profissões fora de casa, também realizam as tarefas domésticas. Há aquelas que optam pela maternidade e acabam cuidando dos filhos sozinhas.

A modernidade trouxe avanços, mas algumas coisas ainda são como há vários anos atrás.


O que mudou e o que não mudou na história das mulheres do Brasi?


Algumas poucas têm seus nomes lembrados por grandes feitos, outras tantas, anônimas, fizeram e continuam fazendo parte de uma história - não tão divulgada - desta Nação.

Veja por exemplo o papel das mulheres indígenas no início da colonização do Brasil.


O que seria dos portugueses que aqui chegaram sem o companheirismo destas mulheres indígenas? E as primeiras mulheres enviadas de Portugal para o Brasil, bem como aquelas que aqui nasciam, ricas ou pobres, como eram suas vidas? Aquelas que vieram da África, e que aqui permaneceram no regime de escravidão, como sobreviviam?


Veja o vídeo a seguir, publicado originalmente no Portal Domínio Público, e encontre algumas respostas.



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Literatura, carnaval e releituras.

As histórias escritas nos livros, verdadeiras ou não, acabam por render bons frutos em diversas outras expressões artísticas. Pintores italianos do século XVII inspiravam-se em personagens da antiguidade (aproximadamente setecentos anos antes de Cristo), imortalizados através da escrita. Já uma história produzida por um espanhol naquele século XVII ainda é, em pleno século XXI, o segundo livro mais lido e relido no mundo inteiro. Já virou peça de teatro, filme, desenho animado, tema de pinturas, esculturas, gravuras, inspirou músicas e poesias... Enfim, esta obra escrita resiste ao tempo e inspira diversas manifestações artísticas.

Aqui no Brasil tanto obras literárias como seus autores chegam a nós através de uma manifestação cultural tipicamente brasileira e particularmente carioca: o desfile das escolas de samba. Foi o caso do enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel em 2009.

Essa escola juntou em uma mesma avenida personagens de um bairro do Rio e outros do sertão de Minas. Realizou uma viagem alegre e barulhenta passeando com estes personagens e seus autores, considerando o tempo e os locais em que viveram.

Na visão do “pensador” do desfile da Mocidade, o carnavalesco Claudio Cavalcanti, a descrição/reinvenção da vida e obra de dois mestres da Literatura se fez sob o título “Clube Literário Machado de Assis e Guimarães Rosa... Estrelas em Poesia!”

Para concretizar o desfile na avenida, foi idealizado um roteiro e foi composto um samba enredo. Este roteiro de uma peça (como no teatro) de 8 atos, começa apresentando o nascimento da estrela mística literária Machado de Assis. Prossegue falando de sua vida, em verso e prosa, e continua mostrando o cronista e o literato através de suas obras. Completa a apresentação deste autor falando do ambiente em ele e sua obra atuavam, buscando nos saraus musicais do século XIX a inspiração. No quinto ato, apresenta o tempo em que uma estrela fenece (Machado), que é o mesmo da outra que nasce (Guimarães). Prossegue mostrando a trilha profissional deste autor, e, logo após, a inspiração vem de sua principal obra: Grande Sertão. Por fim, as três estrelas se juntam: Machado, Guimarães e a Mocidade.

(Se você quiser ver o entender melhor este enredo, na descrição do próprio autor, procure em Carnaval 2009 : Enredo, bem aqui ).

Literatura, música, dança, escultura, produção de vídeo, engenharia, serralheria, mecânica, carpintaria, costura... Quantas artistas, técnicos e artesãos fazem um desfile? E doze desfiles? Seguramente este evento no Rio de Janeiro pode ser chamado de “O Maior Show da Terra”!

Mas, voltando à Mocidade Independente de Padre Miguel: pena é que os dois mestres da Literatura Brasileira não a levaram a uma colocação melhor que o 11º lugar. De qualquer forma, essa inspiração foi muito boa, pois possibilitou a um grande número de pessoas um pouco mais de informação sobre “O Bruxo do Cosme Velho” e “O Rosa dos Ventos” de Minas que, se fosse bicho, queria ser... Um crocodilo!


(Para visualizar as fantasias que ilustraram, através da concepção do autor, este universo literário, clique aqui.)

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Os Lusíadas

Camões, autor de Os Lusíadas, acompanhou Vasco da Gama na Viagem às Indias, que ia em busca de cobiçadas especiarias para fazer a fortuna de Portugal.
Navegando por mares "bravios" e desconhecidos, os intrépidos marinheiros aventuravam-se nos traçados do destino, sem saber os perigos - reais ou imaginarios - que encontrariam a sua frente: piratas, sereias, monstros marinhos, tempestades ou calmarias... Ainda assim iam ao mar, porque também a riqueza poderia estar ao final dessa viagem.

A obra de Camões relata, in loco, este feito. E esta obra o colocou entre os maiores escritores de Língua Portuguesa de todos os tempos.

Veja o Livro cLip :

A Mudança já Chegou

Após 45 anos do discurso de Martin Luther King pelos direitos civis para os cidadãos negros norte americanos, Barack Obama é eleito o seu primeiro presidente negro - embora ele mesmo não se intitule assim.

Mas esta luta pelos direitos civis começou ainda em 1863, após a Proclamação de Emancipação feita pelo presidente Abraham Lincoln durante a Guerra Civil americana, que terminou com a escravidão naquele país. A população branca conservadora, não conformada com esta situação, criou grupos clandestinos dedicados a impedir a igualdade de direitos. Durante anos, por um século, a população negra norte americana, principalmente ao sul dos EUA teve que lutar contra a discriminação, que em alguns lugares era regulamentada através de leis. Em 1964 foi assinada a Lei dos Direitos Civis que estabelecia tratamento não discriminatório aos negros norte-americanos.

Qual a mudança necessária para que um negro também possa ser eleito presidente no Brasil?

Mandela, outro líder negro, da África do Sul, um país cujo separatismo era legal, disse uma vez: “Democracia, sem saúde e educação para a maioria, é uma concha vazia”.

Embora o Brasil seja uma nação democrática, e o maior país negro das Américas – dado o volume de sua população – pelas condições de vida, a maioria negra ainda precisa dos direitos mínimos apontados por Mandela: saúde e educação.

Quando direitos mínimos forem comuns a todos, quando a discriminação for discutida sem preconceitos, quando as condições de igualdade forem o ponto de partida para a participação democrática, talvez a maioria negra e branca possa reconhecer os seus líderes sem necessidade de discutir sua cor. E eleger um negro será tão comum quanto eleger outra pessoa de qualquer cor.

Quem conhece a historia de Zumbi sabe o quanto a luta se fez necessaria para a conquista da liberdade. E por isso, o 20 de novembro, contrapondo-se a doação do 13 de maio: ainda há muito que avançar para que os direitos civis saiam do papel e se integrem à vida da maioria dos negros em nosso país.

Texto publicado originalmente em 19 de novembro de 2008

O Sonho do Pastor e o Sonho do Sociólogo

Agosto, 2008: 45 anos do discurso de Martin Luther King

Agosto, 2008: 11 anos da morte de Herbet de Souza.

Eu tenho um sonho... com estas palavras, um pastor negro norte americano, iniciou um discurso diante de 250 mil pessoas. Este discurso era um protesto pacífico contra as políticas de segregação racial que excluíam milhares de americanos dos direitos civis que pregava a Constituição daquele país.

Quantos de nós não temos nossos sonhos, pequenos sonhos: de ver os filhos com saúde, comida na mesa, um teto para abrigo, as contas pagas ao final do mês e a perspectiva de uma vida melhor?

Quantos de nós não sonhamos com estas coisas também para nossos irmãos, nossos primos, nossa família, nossos amigos, nossos vizinhos?

Quantos de nós não temos grandes sonhos, de uma conta bancaria recheada, juventude eterna, cidades limpas, igualdade e justiça para todos?

Quantos de nós conseguimos realizar pelo menos uma parte de nossos sonhos?

Quantos de nós sonhamos pela igualdade de direitos dos cidadãos, assim como sonhou aquele pastor americano, há 45 anos? Quantos de nós sonhamos com um Brasil sem fome, como sonhou o Betinho nos anos 80?

Martin Luther King e Betinho viveram em tempos e locais diferentes, e seus sonhos incluíam muitas pessoas. O sonho de King levou a leis mais justas entre brancos e negros americanos. O sonho de Betinho levou inúmeras pessoas a ações pela cidadania, contra a miseria e pela vida. Mas ainda hoje, aqui e em diferentes lugares, precisamos de pessoas como eles, que se ergam diante das multidões, e gritem: Nós temos um sonho!

Sem sonhos não há esperança. Sem sonhos não há mudanças...

Precisamos dos sonhos, nossos sonhos nos movem adiante.

Você, sonha o quê?

Texto publicado originalmente em 2 de setembro de 2008